17º Dia - Último tango em Buenos Aires (no había)

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Olá a todos,


Último dia de passeio em Buenos Aires e eu estava decidido a visitar a Recoleta e o Caminito. Para isso deveria pegar o Citytour, um ônibus de dois andares que faz um trajeto por vários pontos turísticos de Buenos Aires.


Entretanto, depois de caminhar 14 longas quadras, ao chegar no ponto estabelecido, que decepção: uma fila longuíssima para pegar o ônibus e outra que não se moveu durante os 15 minutos que permaneci nela, um centímetro. Desisti e fui até a Galeria Pacífico, já que estava na Calle (rua) Florida, visitar esse famoso centro de compras e cultura.


Até chegar na galeria, foram mais ou menos 1:30 de entra e sai de lojas para ver lembrancinhas (regalos), preços e variedades. Puxa, isso é demais para os meus olhos e pernas, tem muita coisa para se ver e descobrir. Não há a mínima possibilidade de se ver tudo em algumas horas.


Entrei na Galeria, tirei fotos, visitei as exposições presentes (só as que eu entrei: 6) e saí.


Desisti de comprar coisas e pensei em pegar um ônibus e ir para a Recoleta. Já tinha um guia de bolso com todas as linhas, tudo bem informado. Mas quem disse que consegui achar o ponto certo?


Desisti novamente e fui almoçar, dessa vez acertei. Comi um espaguete com bolonhesa. Muito estranho, ele fica exposto em um balcão refrigerado, você aponta, retiram para levar ao forno e você come! Simples assim. Preço: 15 pesos.

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Sendo assim: não venha à Buenos Aires com poucos dias, recomendo no mínimo 4 dias.


Primeiro faça o citytour, caso o hotel não o ofereça e depois, vá para o abraço. Ande de ônibus, de metrô, caminhe pelas ruas. Descubra a sua Buenos Aires.


É super tranqüilo, basta ter atenção. E não se preocupe com o espanhol, ouça com atenção, peça para falar devagar, compre um guia básico e leve de conversação e você se torna um argentino desde niño. Converse com as pessoas, sorria, agradeça sempre.
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Então voltei à Calle Florida e comprei as lembrancinhas, já atrasado para o compromisso com Gabriel de buscar a minha moto. Voltei ao hotel com os pés doendo de tanto andar, descansei alguns minutos, enquanto ele não chegava.


Ele me levou até a oficina do Mariano (www.motocare.com.ar) que eu recomendo desde já para qualquer um que venha ou passe por Buenos Aires. É o lugar certo para cuidar da moto. Fiz uma mini revisão e contei-lhes do problema que estava vivenciando com a moto. Parecer deles: a moto não tem nada está perfeita. Trocaram óleo, verificaram todos os itens de segurança, rolamentos e lavaram-na. Ficou simplesmente perfeito. Andei a 100 km/h e não vi nenhum problema.


Aproveitei e comprei um capacete novo (sonho pessoal realizado) Zeus GJ-3000, lindo, na cor matte black, com óculos escuro interno e bavete, serviu como uma luva e me custou 780 pesos (R$ 335). Já saí usando o novo capacete, estava apenas com um blusa de malha numa temperatura de 16º e andando perfeitamente à 60 km/h, nenhum vento penetrou.


Acompanhei o Gabriel até a sua residência, antes passando para pegar uma documentação para sua nova moto. Em um determinado momento um carro simplesmente perdeu a direção, virou à esquerda e colidiu com uma árvore. Gabriel, que estava logo atrás dele, parou a pickup ligando luzes de alerta e correu para socorrer o motorista. Ajudando-o a sair, prestou todo o auxílio que pode, ligando para a seguradora (não conseguindo). Aliás, todos os que estavam presentes no momento do acidente pararam para prestar socorro.

O homem disse que perdeu os sentidos ao tossir, não tendo nenhum arranhão graças ao duplo air bag do seu Renault Mégane. Decidiu deixar o carro ali mesmo e ajudei-os a afastar o carro mais para o passeio. Gabriel deu uma carona a ele, levando-o à casa de sua filha. Paramos em um posto de gasolina pois a minha moto estava quase sem nafta. Dessa vez, foram 15,02 l, um recorde, média de 20km/l.


Como era tarde, o Gabriel pensou que não conseguiria pegar a documentação, mas assim mesmo foi, e voltou pulando de alegria, pois conseguiu os papéis de sua nova BMW F800, hoje ele tem uma BMW F650 (que na verdade tem um motor 800, com potência reduzida).


Enfim, chegamos à sua casa, que fica na cidade de San Isidro. Como em BH e Contagem, são cidades anexas uma à outra, apenas se diferencia por ter mais bairros residenciais, parecidos com lares americanos. Aliás, eu notei que passando por uns bairros de Buenos Aires eu pensava a todo instante que estava em Paris, sem nunca ter ido lá. Não me pergunte o  porquê.

Fui recepcionado por sua esposa, Jimena. Ajudei-o a descer a nova escada e o novo fogão da casa. Conheci seu caçula Joaquim e fiquei sabendo que ele gostava de motos também. Antes de sair conheci sua filha Renata. Me emprestando uma jaqueta corta vento, saímos para sua academia de ginástica onde eu conheci seus amigos, Vidal e Carlos (seu instrutor de ginástica).

Depois disso fomos a uma churrascaria, Siga La Vaca, em San Isidro mesmo, passando por uns 3 km ao lado de um hipódromo. Ficamos até as 01:00 e ainda conversamos mais alguns minutos. Explicaram-me como chegar ao hotel. E, é claro, entrei em uma rua errada. Mas encontrei um policial numa curva (no meio do nada, numa via expressa!) que me indicou a direção correta, me alertando para ter cuidado. Como eu sou de Buenos Aires desde pequeninho, cheguei rapidamente no hotel. Consegui estacionar a moto no estacionamento em frente (o hotel não tem garagem), $ 27,00 pesos.

Tenho que sair hoje até as 11 h. Estou muito inclinado a aceitar o convite para ir para o campo em vez de seguir a Ruta 3 rumo ao sul. Ele vai para a cidade de Carlos Casares, pela Ruta 5, pintar o telhado da casa de campo da família de seu amigo Vidal, com o qual jantamos juntos.

Até o presente momento não tenho uma decisão. É provável que não tenha internet aonde vou. Sendo assim, talvez fique incomunicável durante o feriado.

Para deixar todos tranqüilos:
Gabriel A. Viviani
Google Maps, caminho percorrido, clique aqui

Pessoa de extrema confiança, leal, pai de família, trabalhador da área de refrigeração e ar condicionado.

Mi hermano argentino.


Abraço a todos,


Marcio.
Umas das entradas da Galeria Pacifico




















Fotos de Sebastião Salgado

Negra Li, limpa e preparada para a noite de Buenos Aires

16º Dia - Passeio pelas ruas de Buenos Aires

terça-feira, 19 de abril de 2011

Olá a todos,


Hoje eu fiquei sem moto e decidi "turistar", mas não como fazem os turistas. Nada de monumentos, praças, museus. Fui pra galera: andei pelas ruas, como fazemos todos os dias na nossa cidade.


Andei prá lá e prá cá, olhei preços, lojas, almocei na rua. Entre em um locutório (cabines telefônicas) para ligar pro Gabriel. Estou indo bem no meu espanhol.


O primeiro lugar que entrei com o propósito de comprar foi uma livraria enorme, onde Carlos Gardel fez suas primeiras gravações, chama-se El Ateneo. Magnífico é pouco. Consegui poucas fotos boas. Comprei guia da Patagônia, mapa de Buenos Aires e mais um guia de tradução, muito prático. Total: 127 pesos (R$ 54).


Ao pagar, quem disse que eu encontrava o cartão de crédito internacional? Pensei: ótimo, fiz como todos os outros, perdi o cartão. Decidi voltar ao hotel para verificar se eu tinha esquecido ou para cancelar o cartão.


Antes, parei para almoçar num restaurante numa esquina, não sei o nome. Muito legal, boa música, paredes recheadas de cartazes. E comi arroz, finalmente. Numa ensalada com arroz, tomate, milho, mussarela, presunto e limão. Bom atendimento, bom preço.


Voltei ao hotel e encontrei o bendito cartão, menos mal. Conversei com o Gabriel e não tive retorno da moto. Provavelmente só amanhã eu poderei andar de moto por Buenos Aires novamente.


Descansei um pouco e fui de novo para as ruas. Decidido a chegar ao obelisco na Avenida 9 de Julho. Bem andei por aqui, entrei ali, saí acolá. Passei em um shopping muito bacana (http://www.paseolaplaza.com.ar/), parece um bosque. Umas duas horas depois eu consegui chegar (são quatro quadras) ao obelisco.


Passei por baixo da avenida (tem um acesso para o metrô - Subte - em que fizeram uma galeria comercial. Tirei algumas fotos do obelisco e parei em uma banca de revista para comprar um mapa da Patagônia. Conversei longamente com o Sr. Lucio, um senhor muito simpático que me deu muitos conselhos, me contou de suas viagens e que já foi dono de posto de combustível. Retornando dessa viagem ou na próxima vou lhe visitar.


Então fui a uma loja de aventura para comprar mais algumas roupas para o frio. Uma segunda pele, um microfleece e um par de meias. Total: 274 pesos (R$ 117, no Brasil, uns R$ 300).
Andei mais um pouco, tentei ligar para o Gabriel e não consegui. Passei por um café que estava apresentando uma dupla de cantores de tango, ouvi um pouco e segui adiante. Passei por uma chocolateria da Arcor, um paraíso para chocólatras. Vi muitas livrarias, cafés, cinemas, teatros.


Parei na El Gato Negro, quem vier a Buenos Aires, não deixe de vir tomar um chocolate ou café aqui. Mil temperos, você entra é recebido com o cheiro de pimenta. Não é desagradável,  pelo contrário. Muito pitoresco, como toda essa cidade que sofreu influência européia. Eles têm razão e serem esnobes em algumas circunstâncias, eles podem.


Claro, como um grande centro urbano e capital, o trânsito é pesado, há alguns abusos, mas em geral o pedestre é respeitado. Quase todos aguardam a sua vez para atravessar a faixa de pedestres. Nisso estamos a anos luz deles. Já no trânsito, vi coisas que fazemos, sejam motociclistas ou motoristas.

Enfim, depois que escrever essa postagem, pretendo sair e comer uma pizza na Pizzaria Guerrin (que mais tarde descobri, era de propriedade do Vidal, amigo do Gabriel). Mordam-se de inveja.

P.S.: Porém, como a Pizzaria Guerrin estava lotada, fui comer noutra pizzaria, um rodízio de pizzas


Abraço a todos,

Marcio
















Finalmente, arroz! Tudo bem que era na salada, mas muito bem feito e gostoso.
Aqui não temos, mas é idêntica à Aquarius Fresh.
Fotos do quarto onde estou hospedado, Hotel Metropolitan, na Calle Junin, 357

Um shopping diferente, Paseo La Plaza, muitos teatros e lojas, tudo de cultura
Famoso obelisco de Buenos Aires, para nós de BH, um pirulito avantajado.



Essas e outras prateleiras estão cheias de especiarias.
Finalmente, um chocolate que não é Nescau.

15º Dia - Pousada Tagüe a Buenos Aires

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Obrigado pelo apoio, fico honrado pelo carinho recebido de vocês.

Estou bem, cheguei a Buenos Aires. Tenho muitas coisas a contar.

Seguindo meus instintos e com Deus à minha frente colocando anjos, cheguei até aqui e penso em continuar.


Ao sair do quarto eu me deparo com um tremendo céu azul. Tive que piscar os olhos para me acostumar com a claridade.


No meio do caminho eu recebo o aviso que o pão de queijo havia acabado, fui informado pelo Fábio, motociclista harleiro, gaúcho residente em São Paulo e que estava indo na mesma direção que eu. Conversamos um pouco e seguimos adiante.

No servicompras, me perguntaram se eu estava melhor, o que confirmei e tomei meu desayuno. Solicitei ajuda para encontrar um hotel e me deram uma indicação que não se confirmou por não ter quartos disponíveis. Deixei uma mensagem de agradecimento ao Sr. Néstor e prometi-lhe mencionar seu nome em meu blog.


Para quem estiver indo à Argentina de carro ou moto: Parador El Tagüe, Ruta 14 y Prov. 16, telefax (03446) 493085, Gualeguaychu, Entre Rios. Excelente atendimento, ótimos quartos (novos), preço (150 pesos). Eu recomendo.

O dia estava lindo, nenhuma nuvem no céu. Vejam pelas fotos. Um excelente dia para viajar. Minha moto estava 10. Eu, confiante. O vento no rosto, luvas me protegendo.

A uns 50 km de Buenos Aires eu parei no acostamento, pela quarta vez, para ajustar o meu MP3 e percebi que um carro parou na minha frente. Eu já o havia visto anteriormente.

O senhor que desceu veio me perguntar se eu estava com problemas, primeiro em espanhol e assim que ficou sabendo ser eu brasileiro, em português. Chama-se Eduardo e o acompanhante, Sebastião. Viajavam em um VW 1500, parecido com o nosso Dodge Polara. Contou que fez uma viagem da Áustria até a Índia numa Honda 150 Four. Muito atencioso, desejou-me boa viagem. Cruzei com eles mais adiante.

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Quem sabe o que é alguém que não lhe conhece, lhe ajudar gratuitamente e apenas por que sentir que eu era uma boa pessoa? Pois isso aconteceu comigo.

Parei em um posto de gasolina e vi um rapaz em uma BMW F650 (que na verdade é uma 800) e perguntei-lhe onde eu poderia almoçar. Falou que se eu esperasse o irmão dele chegar iríamos a um restaurante uns 13 km mais adiante. Seu nome é Gabriel Viviani, trabalha com refrigeração comercial, casado e dois filhos.

Usei o meu portunhol canhestro e até recebi elogios, disse-me que o meu espanhol era melhor que o seu português. Rimos e acho que ali se estabeleceu um elo de amizade.

Almoçamos juntos, eu, ele e o Carlos, são irmão mais novo. Pagaram meu almoço, pedágio, fez ligações do celular para conseguir o meu hotel, levou-me até sua casa, me apresentou a oficina onde deixei minha moto para uma mini revisão, trouxe-me ao hotel, acompanhei-o até uma espécie de cartório, passeou um pouco me apresentando alguns pontos turísticos, me levou até a oficina e me trouxe em sua moto até o hotel. UFA! Ficamos juntos desde as 13 h até as 20 h. 

Um grande amigo e agora um irmão argentino. Abriu as portas, tratou-me muito bem, fez tudo o que podia por mim. É inegável que pessoas de bom coração existem.

É a magia da estrada se confirmando aqui neste lugar. Todos que já passaram por aqui já viveram isso antes. Como nós que somos receptivos e calorosos aos amigos e aos que precisam de ajuda, aqui também existe.

Antes que fique muito tarde e longo demais esse post, me despeço com uma citação do Senhor Eduardo:

"Quanto mais louca a viagem, mais coerente deve ser o viajante"

Abraço a todos,

Marcio