30º Dia

terça-feira, 3 de maio de 2011


Olá a todos.

Para ouvir lendo esse blog:




ESTOU EM CASA!

Depois de 30 dias e 7.492,2 km eu cheguei em casa inteiro e com muita bagagem, tanto física quanto espiritual. Conheci pessoas, lugares, culturas. Cultivei a amizade, a tolerância, a paciência, o desapego e o amor. Passei por pequenos apuros e grandes alegrias. Fiz o que queria e o que pude fazer, aproveitei o suficiente todas as oportunidades que apareceram. 

Obrigado a todos que conheci e a todos que aqui ficaram torcendo por mim e pelo sucesso da viagem.

Bem, o dia começou antes do celular despertar, acordei antes dele. Abri a porta e deparei com um maravilhoso céu azul, veja a foto e comprove.

Depois de tomar o café colonial do hotel, preparei-me para passear pela cidade, fazia um friozinho, mas não usei nada a mais para me proteger. Consegui suportar bem o frio, provavelmente quem me viu andando desse jeito deve ter achado que sou doido. Não consegui achar nenhum mirante na cidade apesar das placas indicativas. Subi, desci, subi de novo. Fui ao aeroporto da cidade, tirei fotos. Comprei presentes e voltei ao hotel para arrumar, pela última vez, a bagagem.

Vou sentir saudades dessa rotina, rodar o dia inteiro, encontrar hotel, tirar bagagem, acomodar-me, carregar eletrônicos, atualizar blog, responder emails, prosear com amigos, levantar, café, colocar bagagem na moto e rodar de novo.

Enfim, deixei o hotel, passei no portal e mais 2 km, completei 7.000 km no odômetro parcial. E tome curvas, subidas e descidas radicais, Gabriel e fiz um vídeo para ele ver como é a minha terra. Lembrei do Divino e de como ele adoraria dirigir nessa estrada.

Parei no Chalé da Tânia para comprar uma cachaça de banana para presentear ao meu mecânico de moto, Piter. Porém, acho que ele não vai gostar, ele aprecia é uma boa pinga. Tirei foto do Chalé e fui cobrado a tirar uma foto da vaquinha (que tem um nome que esqueci). E prometi mandar um SMS quando chegasse em casa, avisando que cheguei bem e que as garrafas e doces também.

Cheguei a Camanducaia, cidade que todas as outras deveriam copiar: tem placas indicativas que não deixam ninguém em dúvida para onde seguir e alcancei a Fernão Dias.

Avaliei se deveria abastecer na cidade ou na estrada. Decidi pela estrada, só que o tempo foi passando e nada de posto aparecer, já estava com 58 km na reserva, calculei que teria autonomia para mais 27 km. Até que apareceu um pedágio, encostei e pedi informação: tinha um posto 1,5 km à frente em Cambuí. Beleza. Abasteci sentei a mão, até abastecer em Carmo da Cachoeira, fiz 19 km/l. Como esperava chegar em casa com esse tanque, tentei maneirar, consegui chegar tranqüilo.

Até Pouso Alegre, completei o trecho da rodovia que eu nunca havia feito. Mais um sonho realizado. Durante essa tocada, lembrei da minha viagem com o Luiz Rabelo, meu parceiro de viagem com quem mais tive afinidade. Lembrei de vários pontos que percorremos juntos essa estrada.

Lembrei dos meus medos em fazer curvas a mais de 110 km/h. E hoje, me via fazendo curvas a mais de 130-140 km/h. Quanta mudança!

Desde fevereiro deste ano eu me considero pronto-afinado-preparado-profissional. Estou pilotando muito bem, com segurança e destreza. Não sou perfeito, ainda dou umas bobeiras, mas melhorei muito. Uma pena que dessa vez a minha moto não estava 100% como em fevereiro. Melhorou muito desde a revisão em Buenos Aires. Mesmo com o peso excessivo, tive tranqüilidade para conduzi-la.

Parei em Três Corações para realizar outra vontade desde 2009: comer uma traíra sem espinho no Rei da Traíra. Comi com gosto e com calma. Conselho que vi em Monte Verde: a pressa é inimiga da boa refeição.

Depois disso, rotina dos pedágios, paradas para esticar as pernas. Parei em Oliveira, café, xixi, chicletes e caça palavras. Acho que nas próximas viagens vou levar para relaxar durante as pausas. Liguei para minha mãe e anunciei a minha chegada.

De Oliveira a BH foi um pulo. Já tinha escurecido e mesmo assim mantive o ritmo de 100-130 km. Contrariando o padrão, dessa vez foram os caminhões os responsáveis pelos sufocos na estrada. Apenas dois carros cometeram imprudências.

Dois quarteirões antes de chegar em casa eu já estava ficando emocionado.

Fotografei o painel no instante que parei no meu portão. Por apenas 7,8 km eu não completei 7.500 km rodados.

Meu irmão Marcos abriu o portão e nos abraçamos fortemente. Coloquei a moto para dentro e minha mãe veio me receber. Me abraçou e beijou várias vezes. Chorei de emoção, é bom estar em casa e junto da família. Marcone, meu irmão abaixo de mim, também estava em casa.

Pela última vez, descarreguei a bagagem da moto. Ela até ficou mais alta. Ainda tinha que subir escadas e fiz isso com muita calma.

Liguei para minha grande amiga Ana Paula e contar que eu estava bem e feliz. Falei com Débora, Luiz, Divino e Laura.

Ainda tenho que separar as coisas compradas, os presentes, peças para guardar. Retomar a rotina, resolver o problema do chip do celular. Planejar a agenda de atendimentos, coisas práticas.

Uma grande viagem, uma grande aventura. Impossível de ser realizada sem planejamento, sem a ajuda dos amigos, sem o apoio da família. Tenho uma lista de pessoas a agradecer, mas farei isso pessoalmente.

Ainda vou postar coisas práticas e alguns dados (se possível).

Abraço a todos.

Marcio














































29º Dia - Curitiba a Monte Verde-MG

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Olá a todos.
Saí de Curitiba depois de abastecer e tomar um café no posto Locatelli. Um senhor, Ronaldo, puxou assunto comigo enquanto eu conversava com os lavadores de carro. Perguntou sobre a moto, disse que teve uma Suzuki Freewind e que ia para o Rio em dez horas de viagem. Me convidou da próxima vez me hospedar na sua pousada, Pousada da Serra em Quatro Barras, do lado de Curitiba.

Desci para o restaurante e conversei com o dono do restaurante que nasceu em Minas Gerais e tem parentes em Paraopeba. Ele me recomendou passear pelo Brasil e visitar o norte até o Amazonas. Daqui a alguns dias ele vai fazer essa viagem de pick up.

Conversei com a frentista que abasteceu minha moto, Edna, enquanto ela tomava seu café. Em poucas frases já sabia que seu pai tem problemas nos pés e com a bebida, sua filha tem 13 anos, toca numa banda de rock (e não é muito boa no inglês), o marido trabalha mais horas que ela e não têm como colocar a filha num curso de inglês além desses motivos porque o filho caçula não poderia acompanhá-la. Tudo isso em 5 minutos de prosa!

Chegou um policial rodoviário que nos cumprimentou e na saída me desejou boa viagem e cuidado com a malandragem. Perguntei-lhe qual malandragem, a minha ou a dos outros, disse-me que a dos outros. Agradeci e preparei para rodar 400 km até São Paulo.

Ansioso, pois essa seria a primeira vez que eu percorria a BR-116 nesse sentido, já que em 2009 vim por ela e voltei por outra. E porque desta vez eu passei à noite e agora seria pela manhã. Não me decepcionei, é muito bonita e com belas paisagens. Veja as fotos. Muitas curvas e eu estava muito à vontade na moto. Pena que o saco de Butiá pendia um pouco nas curvas à direita.

Passei pela divisa de estados e não parei para fotografar, quando eu vi, já era. Parei para abastecer e tomar um café e pão de queijo. E de novo, mais estrada. Passei por Registro, que dormi em 2009 e logo em seguida o Graal Buenos Aires que fica no sentido contrário. Em 2009, eu e Aloísio fotografamos numa placa com as distâncias até Buenos Aires e Ushuaia. Dessa vez, eu quis fotografar e fiz o Daniel parar nele. Mas quem disse que eu encontrei a placa? Era de noite, como em 2009, mas tinha alguns caminhões na frente dela, procurei e não encontrei. Não é que hoje eu vi a danada no mesmo lugar? Vai entender.

Agora a minha preocupação era com São Paulo, o rodoanel, evitar a marginal, etc. Claro, para variar, errei a entrada e a direção, nisso foram 8 km para voltar. Depois entrou na reserva e como o rodoanel é novo, não tem nenhum posto. Rodei mais devagar, parei num posto policial para me orientar, conversei com um funcionário da concessionária e obtive a seguinte direção: siga até o final do rodoanel até Caieras e depois Laranjeiras, dobre a direita, depois esquerda vá até o trevo. Beleza, o problema é que não tem placa indicando Caieiras. Parei num entroncamento e tinha um senhor que eu tinha visto no posto policial e me parou pedindo orientação para chegar em Mauá, então éramos dois perdidos e chegou mais um! Despedi-me e fiz minha escolha.

Como precisava abastecer, entrei a esquerda no sentido Jundiaí. Usei uma lógica que na direção de Campinas eu não devia seguir, encontrei um  posto, mas na marginal e não havia placa indicativa para ele, segui mais à frente e quem aparece? Placa para Caieiras. É nessa que eu vou, entrei e pedi informações pro primeiro que vi. Confirmou que o caminho era aquele mesmo e que tinha posto uns 2 km à frente. Abasteci, novas informações e vamos em frente. Medo dos lugares onde passava, apesar de me tranqüilizar que eram bairros como os nossos, muitas pessoas cuidando da vida, então por que me preocupar? Medo de não conseguir sair dali e cair na marginal.

Tinha quatro preocupações: abastecer, fazer xixi, almoçar e achar o caminho para a Fernão Dias. Resolvida a primeira, preocupei com a quarta. Não consegui achar o ponto certo e cuidei da segunda e terceira: parei em um posto, tomei um capuccino e um salgado. E novas orientações: eu tinha passado do ponto certo (apenas por que a sinalização está no sentido oposto, como descobri) e devia tomar cuidado com as curvas por causa da chuva que começou a cair, aumentando os acidentes.

No caminho certo, comecei a ver placas indicando Mairiporã e Rod. Fernão Dias, aleluia. Demorou mas consegui, às 15:30 eu estava na direção correta para casa. Novidade para mim, pois em 2009 eu fui duas vezes por essa rodovia mas voltei por outra, então não conhecia esse trecho até Pouso Alegre. Adoro não fazer o mesmo caminho da ida.

Como eram 16h, decidi que não rodaria mais hoje, e comecei a procurar onde ficar. Vi a placa indicando Monte Verde, 34 km. Pensei, por que não? Só tenho que chegar amanhã em casa. Vamos à Monte Verde!

Uma estradinha cheia de curvas, relativamente conservada, alguns poucos buracos. Minha única preocupação era ter internet na cidade. De repente, estrada de terra molhada. Que saco, vai ter que valer a pena essa tensão. Aparece o asfalto e depois, mais terra. Finalmente cheguei ao portal da cidade. Parei para pegar informações e confirmei que tinha internet.

Fiquei uma hora conversando com o José que atendia no posto da Secretaria de Turismo. Tentei ajudar a resolver o problema da internet no computador, mas não consegui por problemas no sinal wireless. Conversamos sobre viagens, Argentina, coragem, foi muito bom. Deu-me a indicação deste hotel, Áustria. Consegui a diária por R$ 130, apartamento standard, com tudo completo.

Para quem não conhece Monte Verde, clique aqui.

Saio amanhã, depois de ver um pouco da cidade, para Belo Horizonte, completando 30 dias na estrada. 

Que vida boa, obrigado meu Deus.

Abraço a todos,

Marcio