14º Dia - Gualeguaychú a Pousada Tagüe

domingo, 17 de abril de 2011

Olá a todos,

Minha idéia inicial era chegar a Ushuaia seguindo a Ruta 3 e voltar até o Glaciar Perito Moreno.

Hoje estou a 250 km de Buenos Aires, porém eu tive uma indisposição estomacal/intestinal durante a madrugada e manhã.

Ontem eu queria achar arroz para comer e só achei pizza e carnes. Não queria macarrão e acabei comendo um bife de chorizo e uma garrafa (350 ml) de vinho tinto seco. Claro que me fez mal, virei ao avesso até chegar onde estou.

Parei em outro hotel, pouco depois de sair de Gualeguaychú. Preferi permanecer me recuperando a seguir vomitando em cima da moto. Já tive minha cota de "Aretuza, não respira!".

As pessoas do hotel foram muito atenciosas comigo. Até o presente momento, apenas pessoas de bom coração se aproximaram de mim.

Estou melhor agora, tomei banho e dormi 5h direto e amanhã seguirei para Buenos Aires, onde devo ficar uns dois dias.

A minha idéia, por agora, é seguir em frente mais um dia de viagem e depois retornar. Este ano de La Ninã não está prometendo tempo agradável. Já nevou em Ushuaia e não tenho experiência com neve. Hoje vi 17º em Gualeguaychú num termômetro de rua.

Acho que ainda estou despreparado com os acessórios de frio. Farei compras em Buenos Aires de peças para frio. Luvas, fleece, talvez casaco e botas, se compensar.

Viajar sozinho é melhor por você fazer o seu caminho, suas paradas e suas decisões. Acompanhado é bom, pois sempre tem o apoio quando necessário.

Não sei dizer quanto tenho pago pela gasolina premium, nem olho. Acredito que sejam entre 4,50 e 5,20 pesos. Minha moto está razoavelmente econômica, até agora só completei 10 l por abastecimento, acho que tem dado uns 22 km/l.

No mais, estou bem disposto para seguir viagem sozinho até onde der. Sem riscos, ontem fui parado pela policia caminera e foi tranquilo.

Incomoda-me não falar fluentemente o espanhol, mas até o momento estou me virando bem. Mas gostaria de me comunicar ainda melhor. Tento pensar que estou fazendo uma imersão na língua espanhola. Claro, é muito pouco tempo.

Abraços a todos,

Marcio
Neste pau, exatamente debaixo da roda traseira deste caminhao, eu vomitei. 




13º Dia - Monte Caseros a Gualeguaychú

sábado, 16 de abril de 2011

Olá a todos!

Este post está sendo escrito sob o efeito de vinho tinto argentino. Perdoem-me os erros.

Então, depois da odisséia de atravessar a fronteira acordei por volta das 08 h e fui tomar o desayuno (desjejum, café da manhã) meio magro, café e dois pães de queijo. Mas fazer o quê, encarar né?

Na mesa sentou-se o casal Pierre e Valéria (austríaco e paulista) que eu encontrei na aduana argentina, mas não acompanhei. 

Conversamos um pouco e ao sair o Pierre me disse que não gostava de andar em comboio. Disse-lhe que não se preocupasse e seguisse seu caminho. De fato, havíamos nos encontrado no dia anterior, na aduana argentina, e senti o Pierre arrogante - foi nesse momento que ele me disse não querer companhia.

Eles tiveram que ficar na mesma pousada por que o pneu da moto furou...

Enfim, fiquei de 9 até as 11 arrumando as malas. Enfim, quando terminei, avistei do outro lado do quarto da pousada, uma outra XT 660R, claro que era um brasileiro, já que a Yamaha não vende ela na Argentina.

Parei no posto de gasolina e abordei o Eduardo, gaúcho de Taquara, residente em Curitiba, estava em viagem para o Chile andar pela cordilheira dos Andes, parecia tão assustado quanto eu. Conversamos e convidei-o a andar junto comigo pelo menos até o ponto onde ele quisesse, já que ele não tinha certeza de seguir em frente.

Saímos por volta de 12h e seguimos até a entrada para a Ruta 18 em direção à cidade de Paraná. Nos despedimos e desejamos boa sorte e boa viagem mutuamente. Durou 4 h nossa parceria de viagem, porém, foi muito bom para minha moral ter a segurança de um companheiro. A confiança aumentou e lembrei-me da mensagem do Sr. Marcio Urias ("Digo com certeza vc está cada vez mais forte. E forte, firme, alegre, vendo o dia cada vez mais lindo, sentindo a maravilha de sua mãe, NÃO TEM COMO DAR ERRADO."). Eduardo, lhe agradeço de coração e desejo-lhe uma boa viagem, que tudo corra bem pra ti.

Segui até a cidade de Gualeguaychú, por indicação do policial que me parou na estrada. Pois é, pela primeira vez eu enfrentei "la policia". Neste caso, a abordagem foi muito gentil e, apesar de usar óculos escuros, tenho certeza que me olhou nos olhos. Solicitou os documentos, disse-me o que era necessário para apresentar e o que devia fazer ao transitar. Perguntei-lhe sobre o frio e respondeu que ele tinha alergia à mudança do tempo. De fato, a pele em volta da boca estava muito ferida. Depois da indicação do hotel, desejou-me boa viagem. E eu, segui feliz por tudo ter dado certo. Cida, obrigado pela dica.

A noite chegou e eu estava em Gualeguaychú procurando hotel quando a luz de reserva acendeu. Rodei um pouco e fiquei no primeiro que havia visto: Nuevo Hotel Avenida - quarto meia boca, mas aceitável - por 80 pesos e desayano.

Andei pela cidade durante um hora à pé para procurar um restaurante comum, como esses em que comemos PF, mas que nada. Acabei jantando no restaurante que tem na esquina do hotel. Vinho tinto e bife de chorizo, $ 52 pesos. Um enorme bife que quase não consegui devorar. A meia garrafa foi quase toda. Estou de pilequinho e, me desculpem, não vou tomar banho nem f*******. SÓ AMANHÃ DE MANHÃ.

Ainda tenho 240 km até Buenos Aires. E a Ruta 14 tem surpreendido negativamente até o momento.

Queria escrever mais, mas não consigo. FUI!

Um abraço a todos.

Obrigado pelo carinho.

Marcio





12º Dia - Uruguaiana - BR a Monte Caseros - AR

sexta-feira, 15 de abril de 2011


Olá a todos!

Estou na Argentina.

Me hospedei na Pousada Cuatro Bocas, Monte Caseros. Aqui tem wireless sem senha, já usei o Skype para falar com minha mãe, dizendo que está tudo bem.

Por ter saído tarde, andei apenas 107 km. Choveu todo o tempo, faz frio. Cheguei por volta de 19 h.

Enfim, fiquei com medo ao sair; ao fazer a aduana; ao iniciar a viagem; ao cruzar os caminhões no sentido contrário; do vento lateral; ao chegar. 

Medo de não saber lidar com o dinheiro (estou com aproximadamente $ 8000 pesos, mais US$ 500) com outra lingua, costumes e até mesmo índoles. A falta do meu companheiro de viagens.

Me preocupa a polícia corrupta. As estórias que ouvi são sempre negativas. Ana Paula, tenho certeza que sua oração funciona. Nada irá me acontecer.

Tento não pensar nas coisas negativas, mas os pensamentos vão e vêm sem controle. Sorry, Maria Luiza, estou tentando ver o quadro do que espero encontrar, quem sabe amanhã?

Sim, tive muito medo: de errar, de cair, de ser enganado, de não conseguir me comunicar; mas estou superando.

Parei em um posto de gasolina e fui abordado por um senhor, Ernesto Moreno, que elogiou a minha moto, perguntou quanto custava, etc. Aparentemente era um eletricista ou algo parecido. Tomei um café, conversei em portunhol, pedi informações, deixei um garoto tirar uma foto em cima da minha moto. 

Como fiz e farei sempre, agradeci e sorri a todos. Tem tudo para funcionar. 

Por enquanto estou conseguindo me virar. Deus olha por mim. Colocou um carreteiro brasileiro em meu caminho que me orientou a chegar até esta pousada. Tem uns bichos correndo no telhado da pousada, rsrsrs. Parecem ratos.

Cheguei bem, apesar da chuva e da tensão em pilotar sem cair. Passei uma hora desmontando e secando tudo que molhou. Um casal que conheci na aduana, Pierre e Valéria estão hospedados na mesma pousada, estão em uma BMW e tiveram um pneu furado duas vezes pelo mesmo prego, vieram conversar comigo.

Veremos o que vai acontecer, devo chegar amanhã a Buenos Aires.

Vou prosseguindo nesta viagem que agora virou aventura.

Vou viajar muito, mas com a determinação de voltar se nao sentir segurança para continuar.


Obrigado pelo carinho.
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Email respondido ao Sr. Márcio Urias:
"Oi Xará, obrigado pelo apoio.

Quero que saiba que você (sem ser desrespeitoso, já que é um jovem como eu) tem uma parcela de culpa por eu estar aqui, pois o primeiro blog que li desde que decidi fazer essa viagem foi o seu.

Na verdade, originalmente eu iria fazer uma viagem como a sua. Quando o Daniel decidiu me acompanhar, foi idéia dele fazer esses passeios.

Espero que compreenda que o medo que eu senti foi devido ao fato que contar com o apoio de um companheiro que nos faz prosseguir por confiarmos um no outro. Foi como se tirassem uma perna, fiquei desequilibrado.

Hoje foi bravo, chorei ao conversar com minha mãe, confesso. Não era um medo que paralisa, mas o medo angustiante, de não ter certeza que era o que deveria ser feito. 

Embora eu paute por viajar em segurança, o fato de minha moto não estar 100%, de estar sozinho em outro país, de temer não entender (não de falar) o que me falam, criou esse temor. Medo de cair logo de cara, da estrada mal conservada, da chuva, da noite se aproximando, de ser assaltado, de ter o dinheiro trocado por outro falso, da polícia corrupta.

Enfim, passado o estresse inicial, em um ambiente seguro, confortável e com internet, as coisas se tornam mais fáceis."


Primeira foto na Argentina, tirada no posto de gasolina por um frentista. Ao fundo a moto do Sr. Ernesto Moreno. 

Tralhas de viagem...

...dá gosto de ver. Imagina para juntar tudo.

11º Dia - Preparativo para a travessia para a Argentina

Olá a todos.

Estou bem. E também ansioso, com medo do desconhecido e do novo.

Mas acima de tudo: Deus me acompanha.

Já fiz o cambio, estou levando $ 1500 pesos argentinos e US$ 500. Espero que seja suficiente nesta primeira etapa até Buenos Aires.

Farei a aduana agora à tarde e em seguida a carta verde.

Também espero que as estórias negativas não sejam tão negras quanto contam.

Seguirei o conselho mais sábio: sorriso nos lábios e humildade.

Maria Luiza, tá difícil neste instante mentalizar o meu destino. Farei o possível, conto com sua torcida.

Mãe, vou e volto inteiro. Não se preocupe. Fiz tudo que foi possível para essa viagem sair correta.

Abraço a todos.

Marcio

10º Dia - Chegada a Uruguaiana

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Olá a todos.


Desapareci pois não tinha internet onde me hospedei ontem


Estou bem, apesar do temporal que abateu o Rio Grande do Sul. Acordei às 5:00 com a tempestade anunciada pela metereologia. Só saí depois de 10:00, sem café. Abasteci e segui viagem. Parei em algum lugar e tomei um café e pão de queijo. Andei a uns 80-90 km por medida de segurança.

Me protegi o máximo para não me molhar. Usei a luva cirúrgica e a luva de tecido, claro que molhou! Apenas depois que passou a chuva é que eu troquei de luvas. Aí sim eu fiquei quentinho.

Consegui alcançar São Gabriel por volta de 13:00, procurei e não achei nenhum lan house, fui almoçar no restaurante São Rafael, cujo dono, Sr. Guaraci puxou papo sobre motos. Disse que teve uma CB 450 e se arrepende de ter vendido, mas que irá comprar outra até o início do ano que vem. Detalhe: ele tem uns 70 anos.

Na parte da tarde, novos episódios de sono (mesmo tomando um energético), porém, estando sozinho eu paro quando quero e fico o tempo que julgo suficiente. Fotografei pouco.

A velocidade aumentou para 120 km/h. Algumas vezes alcancei 150 km/h. Houve ventos laterais, nada grave. Aprendi a evitar o susto quando cruzo carretas: basta posicionar à direita, na faixa lateral, mesmo a 130 km/h é seguro. Veremos o vento patagônico, dizem que é o bicho.

As cidades passavam uma a uma. Parei em Alegrete para um café, que droga. Restaurante ruim, café ruim.

Estou em Uruguaiana, a uma ponte de distancia da Argentina.

Amanhã à tarde devo cruzar a ponte e comprar a carta verde, seguro obrigatório na Argentina.

Abraço a todos.

Marcio

Pela manhã, esperando a chuva amenizar

Parada numa trégua da chuva



Uma das retas, dentre muitas

Contraste de cores na plantação

Haja bagagem

Os últimos quilômetros antes de Uruguaiana, último por do sol no Brasil

Os pontos pretos são vacas pastando

9º Dia - Gramado a Cachoeira do Sul

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Olá a todos.

Estou bem, são 19:28 do dia 13 de abril de 2011, neste momento escrevo próximo à cidade de Cachoeira do Sul - RS, numa pousada à beira da estrada. Como não há internet disponível colocarei esse post na próxima cidade. Parei agora, pois não há condições de pilotar com tantos insetos batendo na viseira do capacete. Está todo pontilhado de insetos.

Até chegar aqui, parei duas vezes para cochilar (coisa de dois minutos) e fotografar o por do sol. Tive que parar várias vezes, pois quando achava que acabou, no próximo morro vinha outra paisagem e outro por do sol maravilhoso. Isso durou uns 20-30 minutos.

Na parte da manhã fui à cidade de São Francisco de Paula para reparar o meu alforge com o fabricante, conheci o proprietário Alejandro e seus filhos. Muito atencioso, ele me atendeu com presteza. Enquanto ele finalizava, fiquei batendo papo com Antonia de 8 e Inácio de 4 anos. Até xadrez eu joguei! Foi bom ter contato com a inocência das crianças para aliviar as preocupações com os adultos.

Voltando à Gramado fui direto ao hotel para arrumar a bagagem, acertar a conta, pegar a roupa na lavanderia. Finalizado essa parte, fui à Chocolates Lugano e aos Correios para despachar os presentes para o povo de BH. Já aviso que são apenas lembrancinhas, ok?

Saí às 14h de Gramado e passei por várias cidades: Taquara e Igrejinha (RS 115), Parobé e Sapiranga (RS 239), Novo Hamburgo, Canoas e Porto Alegre (BR 116). Parei para abastecer logo depois da Ponte Guaíba e da Ilha das Flores (popular para quem assistiu o curta metragem do mesmo nome, não é Ana Paula? – pena que não deu para fotografar a placa) na BR 290. A estrada é uma reta enorme até Uruguaiana, última cidade antes da Argentina, a qual devo alcançar hoje (14) à tarde.

De uma temperatura média de 21 graus em Gramado passei para uns 29 graus, aqui está quente e abafado, estou na região dos pampas gaúchos, são planícies a perder de vista.

Talvez vocês percebam que estou sozinho nas fotos. Pois é, meu amigo Daniel desistiu de viajar. Ainda não sei o que aconteceu, estou aguardando para saber. Aos que já sabem em detalhes o que se passou, por favor, não o julguem.

Sendo assim, irei sozinho até a Buenos Aires, não sei se terei condições para chegar à Ushuaia. Tentarei, mas se não conseguir não ficarei chateado.

Abraço a todos,

Marcio 















8º Dia - Gramado

terça-feira, 12 de abril de 2011

Olá a todos,

Estivemos bem até certo ponto.

Visitamos o Mini Mundo, muito bonito. Vejam as fotos.

Voltamos ao hotel pois eu estava sentindo frio. Precisávamos ir à lavanderia e ao Banco Itaú para o Daniel resolver um  problema com seu cartão de crédito.

Ocorre que o Google Maps indicava o endereço do hotel totalmente errado e com isso todas as minhas leituras do mapa foram erradas e ficamos perdidos mais de uma vez. Esse estado tem uma peculiaridade: vários estabelecimentos fecham de 12:00 às 13:30 e os bancos abrem às 10 e fecham às 15:00.

Enfim, chegamos às 15:30 no banco e isso deixou (acho) o Daniel irritado. Daí iríamos ao pórtico da saída de Nova Petrópolis, porém o Daniel não ouviu eu dizer que era à esquerda e seguiu à direita. Deixei ele ir em frente até poder falar para ele qual era o caminho certo. Dessa vez eu sei que ele ficou irritado, pois falou que iria para o hotel. Eu estava com fome e não queria ir para o hotel, falei que iria rodar por aí. E foi o que fiz.

Rodei Gramado na parte onde não é ilusão e fantasia, apenas a vida real. Queria saber como vivem as pessoas comuns. Fui lanchar em Canela, aproveitei e cortei o cabelo e fiz barba, coisa que eu queria fazer a dias. Fui ao Reino do  Chocolate na volta e voltei para o hotel. Era por volta de 18:40 e o que eu encontro no quarto? Nada.

O Daniel foi embora, não deixou nenhum recado, apenas o dinheiro para o hotel. Simples assim. Não atendeu minhas ligações, mensagens e emails.

Fiquei muito preocupado, liguei para a sua irmã, que disse não saber de nada, apenas que ele estava voltando para casa.

Não postei no dia correto pois estava abalado. Pedi ajuda e orientação a conhecidos, obrigado a vocês! Foi uma longa noite.

Abraço a todos.

Marcio